João Paes Barreto (1544-1617)
Olinda é fundada em 1535 por Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. João Paes Barreto desembarca na região em 1560. Ainda adolescente (16 anos), vem em busca de oportunidades no Brasil-Colônia.
Antecedentes
João Paes Velho Barreto nasce em 1544 em Viana do Castelo, situada no norte de Portugal, na fronteira com a Espanha, na foz do rio Lima. De família nobre, seu pai, Antônio Velho Barreto, é Cavaleiro da Ordem de Cristo e morgado de Bilheiras.
O morgadio é uma forma de organização familiar que, na época, em Portugal, privilegia o primogênito na herança dos bens. Antônio Velho Barreto possui dois filhos: Antônio Paes Velho Barreto e João Paes Velho Barreto. Com a morte do patriarca, o primogênito herda o título de morgado e toda a fortuna. Sobrou para o segundo filho apenas o suficiente para chegar ao Brasil.
Operações militares
Em 1560, ao chegar, logo começa a trabalhar e em seguida entra para as milícias que ajudam a conquistar o sul da Capitania. Participa, como Capitão dos Cavalos, de várias campanhas contra os indígenas da Mata Sul. As terras, à medida em que são ocupadas, são repartidas entre portugueses com relevantes serviços prestados à Donataria de Pernambuco ou ao Reino de Portugal. Assim, em 1580, João Paes Barreto recebe terras férteis como sesmaria e funda o Morgado do Cabo de Santo Agostinho.
Em 1584 é lembrado como herói da batalha da Baía da Traição, na Paraíba, onde luta com seus 300 homens contra os índios potiguaras, após 05 dias de viagem.
E em 1592 é Comandante de um dos navios armados em guerra para a expulsão definitiva dos índios e franceses do Rio Grande do Norte.
Engenhos
Ao casar-se com Inês Guardez de Andrade, João Paes Barreto recebe, como dote, o Engenho Guerra. Início de exitosa vida de empresário. Chega a possuir cerca de dez engenhos, tendo contribuído para o desenvolvimento da cultura açucareira na Capitania de Pernambuco. Foi considerado, em certo momento, o homem mais rico do Brasil.
Ele permanece como símbolo da força econômica e militar da elite pernambucana colonial. É o primeiro a deixar um engenho para cada filho. Seu legado sobrevive na aristocracia rural, apesar de as invasões holandesas levarem ao confisco de muitos bens de seus descendentes.
O casal deixa oito filhos: 1) João Paes Barreto. 2) Estêvão Paes Barreto. 3) Filipe Paes Barreto. 4) Cristóvão Paes Barreto. 5) Miguel Paes Barreto. 6) Diogo Paes Barreto. 7) Catarina Paes Barreto. 8) Maria Paes Barreto. Desses, Estêvão, Filipe, Cristóvão e Catarina deixam descendência. Ponto de partida de importantes troncos familiares no Brasil, cujos principais prenomes são: João, Francisco, Xavier.
João Paes Barreto destaca-se como benfeitor da Casa de Misericórdia de Olinda. Falece em 21 de maio de 1617 e está sepultado na Capela do Hospital da Santa Casa.
Fonte principal: Noêmia Paes Barreto Brandão. “Paes Barreto de Rio Formoso. Solar de Mamucabas.” Rabaço Editora. 1992.